Recordo-me que há alguns anos conheci um menino, um menino que gostava da manhã.
A cada canto do galo ele corria em volta da chuva esverdeada que rodava seu joelho o beliscando como velhas cansadas. Dizia, gritava, chorava aclamando que iria roubar o sol.
A cada partida da madrugada ele marchava na rua dizendo que o sol era seu refém. Dizia para quem quisesse ouvir. Os vizinhos debochavam como quem celebrava o primeiro feriado. E ele enfurecia-se com gargalhadas alheias ofendendo sua luxuria. Certa manhã, os vizinhos correram até a rua e não avistaram o grande astro. Esperneavam perguntando – “Onde estará, onde estará?”. E o menino vinha com um sorriso radiante com o sol pregado em teu peito aclamando aplausos. Mas ninguém o aplaudiu, sorrisos virados de ponta cabeça cercaram o menino. O silencio tomou conta do instante. Até que estrondos são ouvidos. Como uma flecha em regressão o sol sai do peito do garoto e desfila lentamente até o meio da rua. O menino, encabulado... Diria que até ludibriado aponta seu dedo para o sol e ordena que ele volte. O sol continuou a seguir seu caminho. O menino com um toque de raiva corre em sua direção e o agarra, o sol continuou a subir, e o menino com uma face raivosa agarrado nele sobe até o infinito. O sol continua em teu posto até hoje. E o menino, nunca mais foi visto, só são circulados boatos alheios contados em cochicho.
Leonardo Santana.
A cada canto do galo ele corria em volta da chuva esverdeada que rodava seu joelho o beliscando como velhas cansadas. Dizia, gritava, chorava aclamando que iria roubar o sol.
A cada partida da madrugada ele marchava na rua dizendo que o sol era seu refém. Dizia para quem quisesse ouvir. Os vizinhos debochavam como quem celebrava o primeiro feriado. E ele enfurecia-se com gargalhadas alheias ofendendo sua luxuria. Certa manhã, os vizinhos correram até a rua e não avistaram o grande astro. Esperneavam perguntando – “Onde estará, onde estará?”. E o menino vinha com um sorriso radiante com o sol pregado em teu peito aclamando aplausos. Mas ninguém o aplaudiu, sorrisos virados de ponta cabeça cercaram o menino. O silencio tomou conta do instante. Até que estrondos são ouvidos. Como uma flecha em regressão o sol sai do peito do garoto e desfila lentamente até o meio da rua. O menino, encabulado... Diria que até ludibriado aponta seu dedo para o sol e ordena que ele volte. O sol continuou a seguir seu caminho. O menino com um toque de raiva corre em sua direção e o agarra, o sol continuou a subir, e o menino com uma face raivosa agarrado nele sobe até o infinito. O sol continua em teu posto até hoje. E o menino, nunca mais foi visto, só são circulados boatos alheios contados em cochicho.
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